Primeiro eu vi o filme, depois li o livro. Poucos dias depois. Essa não foi a melhor escolha do mundo porque comprometeu bastante minha imaginação durante a leitura. Quero dizer, a mãe do Auggie continuava sendo Julia Roberts e a Summer ainda era Millie Davis (embora o livro "teimasse" em me dizer que ela tinha olhos claros).
resenha livro Extraordinário
Eu digo que não foi uma boa escolha porque eu já tinha o livro em mãos uns quinze dias antes de ir ao cinema. Se eu soubesse que seria uma leitura tão gostosa e rápida, teria lido o livro primeiro. Mas talvez a experiência no cinema não tivesse sido tão incrível. Nunca saberei...

Aliás, tem alguns detalhes que funcionaram melhor no filme. A participação especial de um certo personagem do mundo nerd, por exemplo, quase passou despercebida nas páginas... Mas foi um dos detalhes mais encantadores na telona! Preciso dizer que considero o filme bastante fiel ao livro: acho que só mexeram onde era necessário e as mudanças foram bem-vindas.

Muita gente chorou no cinema. Eu também... Mas não foi de pena do Auggie. Essa história delicada fala sobre amizade, preconceito, amor, família, perdas e mudanças. Em algum momento você vai se identificar — acho que as pessoas choram nesse momento.
resenha livro Extraordinário
Você ainda não sabe do que a história trata? Ela nos mostra o dia a dia de um menino que nasceu com uma síndrome — de nome complicado — que lhe conferiu má formação facial. Depois de dezenas de cirurgias, ele ainda tem um aspecto diferente do normal (o que causa muita estranheza nas pessoas). Naturalmente, ele sofre com isso: é dolorido perceber o olhar assustado das pessoas quando elas te veem na rua. Mas o enredo se desenrola mostrando que "as pessoas boas olham umas pelas outras, cuidam umas das outras"; e isso torna a vida de August Pullman mais leve e menos difícil. Sem contar que ele tem muito bom humor e uma família de verdade: que tem defeitos, mas que sabe amar.

Auggie, como bom protagonista, é um dos personagens mais cativantes. Mas também gostei muito de sua amiga Summer e de seu engraçado pai! Ah... ainda temos personagens brasileiros e uma adolescente que lê Tolstói!

Mas uma das coisas mais bacanas do enredo é mostrar que gentileza é fundamental. O livro tem algumas citações marcantes e me convenceu ainda mais que gentileza é amor em ação: eu devo "segurar minha onda" para não ofender o outro e lhe dar o respeito devido e necessário.
resenha livro Extraordinário
O livro não provocou muitas lágrimas em mim, mas aqueceu o coração. Na minha situação, as partes mais bacanas foram as que não apareceram no filme — ou as que apareceram de um jeito diferente.

A escrita é bem simples, realmente tem cara de livro infantojuvenil. Mas é doce, sabe? Cada parte é narrada por um personagem e você conhece diferentes pontos de vista de uma mesma situação.

R. J. Palacio compartilha sutilmente suas ideias sobre mentirinhas inocentes e vida após a morte — o que é natural, o livro é dela. Talvez você nem queira saber, mas quero dizer que minhas ideias são diferentes.
resenha livro Extraordinário
Você percebeu que eu não consegui separar muito bem o livro do filme, né? É que a versão escrita realmente serviu para mim como um flashback estendido. Se eu fosse você, daria uma chance aos dois: escolha como primeiro o que te der vontade.

Como bônus, vou deixar aqui um vídeo de um simpático menininho que poderia muito bem ser August Pullman:


Título: Extraordinário
Autora: R. J. Palacio (americana)
Editora: Intrínseca
Páginas: 320


4 Comentários

  1. Oi Dafne, parabéns pelo texto! Gostei quando comentou que as pessoas choraram no cinema exatamente na parte que se identificaram - fiquei pensando sobre isso.

    Eu tenho um problema sério com livros (filmes também) muito badalados, isso é, quando vira o assunto, sabe? Ou mesmo autores, como John Green. Inconscientemente eu crio um ranço e não consigo ler.

    Extraordinário está nessa minha lista negra, se é que posso chamar assim.

    Espero que eu consiga ler um dia, pois parece ser muito bom.

    Abs.

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    1. Obrigada, Kelly! ^^

      Eu te entendo... Já tive experiências ruins com livros famosos, mas há também excelentes surpresas!
      Tenho curiosidade pelo Jhon Green...

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  2. Oi, Dafne. Resenha interessante e com belas imagens do livro. Eu tenho assistido aos trailers sobre o filme na televisão e lido algumas resenhas. Parece mesmo bom. Esses filmes assim muito "emotivos" costumam não me atrair muito, sabe? Já tenho tristeza demais na vida para ir ao cinema e sair mais triste do que estava quando entrei. rs Mas vale a pena para quem gosta. ;) Estou curtindo cada vez mais seu blog e suas resenhas. Você escreve bem e objetivamente. Sem enrolar. Dá para chegar no final do texto tranquilamente sem enjoar. ^^

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    1. Oi, Bruno!!

      Te entendo... Já eu, manteiga derretida, gosto de desaguar minhas dores através das histórias dos outros. rsrs

      Obrigada pelo incentivo e pela visita! Fico muito feliz pelo feedback!

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